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PORQUE NUTRIR É MAIS QUE COMER

Atualizado: 14 de Jun de 2019

A alimentação é tão fundamental à vida quanto o oxigênio e a água. Comer bem para viver mais, no entanto, é uma equação que precisa ser ensinada - e aprendida.


Pizza, bacon, pão francês, mussarela, presunto cozido, patê, macarrão, refrigerante, margarina, bife à milanesa, batata frita. Esses alimentos integram a rotina dos brasileiros, além dos saudáveis arroz e feijão. Seja pela disponibilidade, pelo custo acessível ao lado de coxinhas, risoles e pastéis, esses quitutes têm saída garantida em qualquer lanchonete. Mas, a que custo?


Não foi à toa que, no mês passado, o diretor-geral do Fundo das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), o brasileiro José Graziano da Silva, intensificou um pedido aos produtores de alimentos do mundo: que garantam não somente mais quantidade de comida para alimentar as pessoas, mas também mais qualidade no que chega à mesa dos consumidores.


Alexandra Gorn/Unsplash

O alerta de Graziano versa sobre os alimentos ultraprocessados, cheios de aditivos químicos, ricos em açúcar, gordura e sódio, porém pobres em outros nutrientes. “Mais de dois bilhões de pessoas (no mundo) estão acima do peso, das quais 670 milhões são obesas”, lembrou o chefe da FAO durante a Assembléia Geral da Caritas Internationalis, realizada em Roma, na Itália.


Segundo divulgado pela FAO, Graziano foi além, revelando que o número de pessoas obesas deverá ultrapassar, em pouco tempo, os 821 milhões de habitantes que passam fome no Planeta. O dirigente da ONU destacou, ainda, o fato de a fome estar mais restrita a zonas de conflito ou área com severas mudanças climáticas, o que não acontece com o excesso de peso. “Estamos testemunhando a globalização da obesidade: oito dos 20 países do mundo com as maiores taxas de aumento da obesidade adulta estão na África, por exemplo”, apontou.


Ainda de acordo com a notícia divulgada pela FAO, a obesidade está intimamente ligada a doenças como pressão alta, alguns tipos de câncer e diabetes, o que resulta em despesas em torno de US$ 2 trilhões/ano em assistência médica, além das perdas de produtividade.


A LONGEVIDADE


Muitos anos de vida. Esse é o objetivo da maioria dos seres humanos, por isso a alimentação exerce importante papel no alcance dessa meta. Para o médico geriatra Sérgio Luiz Monteiro da Silva, que atua em Balneário Camboriú, há cinco classes de alimentos que devem compor uma dieta balanceada, mas igualmente importante é a quantidade a ser consumida diariamente. “A dieta deve levar em conta 50% de carboidratos, 30% de proteínas, 20% de gorduras e 10% de fibras e grãos”, explica o médico. Nesse contexto, os vilões a serem evitados a todo custo são o sal e o açúcar em excesso.


Quanto à expectativa de vida, estudo da Organização Mundial de Saúde, divulgado recentemente, revelou que a Coreia do Sul está no topo do ranking da longevidade, com mulheres atingindo 90 anos já em 2030, tudo por conta das políticas públicas de saúde e nutrição. A Coreia tem também um nos níveis mais baixos de obesidade no planeta. Trazendo para perto essas expectativas, o geriatra diz que é fundamental adotar hábitos alimentares saudáveis, praticar atividades físicas e reduzir os níveis de estresse.


AS FRITURAS


As frituras fazem parte da alimentação do brasileiro. Mas, por mais que se divulguem os benefícios de uma fritadeira a ar, cujo modelo mais em conta pode ser comprado por até R$ 250,00, é difícil se livrar delas, as frituras. A pergunta é: quanto pode ser ingerido de fritura sem correr risco de vida? A VIP conversou com a nutricionista Aline Deon, especialista em Saúde Pública da Secretaria da Saúde de Balneário Camboriú. Ela fala sobre o tema com propriedade e explica como manter uma dieta em níveis equilibrados.


VIP - Como a senhora avalia o alto consumo de frituras pelos brasileiros?


Aline Deon - Realmente o consumo de frituras no Brasil ainda é bastante elevado. Difícil quantificar esse consumo, considerando que existem vários aspectos a serem levados em conta neste contexto. Partimos da certeza de que toda gordura, mesmo sendo considerada de boa qualidade, quando aquecida passa por processo de saturação. Gorduras saturadas interferem diretamente nos níveis de Colesterol Total e HDL, que por sua vez têm relação direta com doenças cardiovasculares. Além disso, as gorduras saturadas também contribuem para o aumento de triglicerídeos, gordura no fígado (esteatose), entre outros problemas. Ao meu ver, as frituras devem ficar naquele grupo de alimentos para consumo eventual, ou seja, em uma festinha de aniversário, em um jantar festivo e, mesmo assim, com moderação. Lembrando que estamos falando sobre frituras de imersão, ok? Pincelar gordura em uma frigideira para fazer um ovo, por exemplo, não é considerada uma fritura.


VIP - Outros alimentos presentes em nossa dieta diária são o açúcar e o sal, mas da mesma forma que as frituras, há uma quantidade segura que se possa consumi-los?


Aline - Açúcar é carboidrato, fonte de energia para o nosso organismo, portanto, muito importante para a nossa sobrevivência. Mas quando exageramos no consumo, os açúcares trazem prejuízos severos à nossa saúde, podendo inclusive aumentar os níveis de glicemia no sangue,gerando uma doença bem conhecida, o Diabetes. Em média, recomenda-se que 50% a 60% do total da dieta diária seja de carboidratos. Ao consumir este macronutriente, procure fazer escolhas mais saudáveis, por exemplo, optando pelos carboidratos de menor índice glicêmico e pelas versões integrais e evitando o consumo de carboidratos simples como açúcar branco, bolos, sobremesas, balas. O sódio, por sua vez, está relacionado a funções vitais como regular a quantidade de água (juntamente com o potássio) do organismo, a contração muscular, a condução dos impulsos nervosos. Recomenda-se que o consumo de sal adicional seja de, no máximo, 6g/dia, considerando que muitos alimentos que consumimos já apresentam este mineral em sua composição. Infelizmente, a maioria dos brasileiros consomem muito mais do que o recomendado e um dos principais motivos é o consumo exagerado de produtos industrializados ricos em sódio. O excesso de sódio é um dos maiores responsáveis pelo surgimento da hipertensão arterial.


VIP - Sobre as alergias alimentares que atingem tantas pessoas, como as intolerâncias que estão se tornando corriqueiras, quais seriam as suas causas?


Aline - Acredito que as alergias sempre existiram, mas de fato, no mundo todo, é gritante o aumento do número de pessoas que apresentam algum tipo de alergia ou intolerância alimentar. Segundo uma das inúmeras linhas de pesquisa, isso vem ocorrendo por dois motivos: porque os alimentos mudaram e porque aumentamos o consumo. Se fizermos um breve levantamento histórico do trigo, por exemplo, há relatos de que a humanidade consome o alimento desde 7500 a.C., então, por que na dieta atual ele causa tantos problemas? De acordo com pesquisadores, as modificações genéticas no grão talvez possam ex-plicar. Existe uma expressão utilizada, a “força do glúten”, que é o que deixa os pães mais macios e bonitos. As formas selvagens do trigo não apresentavam o glúten em sua composição. E apesar de a história da ciência nos contar que o glúten está presente nos grãos de hoje devido a um cruzamento natural, desde o século XX ocorrem cruza-mentos genéticos feitos pelo homem entre grãos diferentes para produzir variedades mais fortes. Muitas pesquisas de melhoramento genético continuam ocorrendo.


VIP - O que a senhora acrescentaria no âmbito deste tema, tendo em vista os mocinhos, os vilões e as condições para atingir a longevidade por meio de hábitos alimentares mais saudáveis?


Aline - Em meio a tantas variáveis que o tema ‘alimentação’ nos possibilita, entre tantos alimentos que pro-metem milagres surgindo constantemente e aqueles que podem colocar nossa saúde em situações complicadas, devemos ser sensatos. Se você gosta do assunto, procure profissionais, sites e programas confiáveis. Nem tudo que a mídia e redes sociais dizem, é verdadeiro. E por fim, desejo que as pessoas procurem menos as prateleiras de supermercados e frequentem mais os sacolões.


QUANTO?


Diante das diferenças que há entre as pessoas e da forma como se comporta o metabolismo de cada uma, não é possível customizar uma tabela de alimentos em frações ideais para consumo. Isso dependeria de uma análise minuciosa do quadro de saúde individual. O que é possível, sim, é padronizar um limite diário que se aplica às pessoas de uma maneira geral. A nutricionista Aline Deon auxilia com a elaboração da tabela abaixo:





Liddy Hansdottir/adobe.stock.com



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