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A DANÇA DE AURORA

Uma luz intensa, verde, dançando no céu, avançando sobre você por todos os lados, pura energia solar no meio da noite! A Aurora Boreal é um fenômeno incrível e surpreendente que desperta a curiosidade das pessoas desde sempre e parece atrair cada vez mais gente para o Ártico – seja pela beleza, pela aventura ou pela aura mística que a envolve.


A explicação científica traduz essa beleza como os ventos solares carregados do plasma formado por prótons, elétrons e neutrinos. Quando isso tudo, viajando pelo espaço a uma velocidade de milhares de quilômetros por segundo chega ao nosso planeta, nossa defesa é o campo magnético que protege a Terra e permite a vida por aqui.


O plasma solar tenta entrar sem bater, mas é atraído para os polos. Essa luta, essa defesa natural no nosso mundo, gera um dos espetáculos mais lindos que há: a dança de Aurora – sem marcação, com mil figurinos e num proscênio de 360 graus.






Para falar sobre essa coisa linda, a Vip Shore foi atrás de quem entende – e muito – do assunto, um dos maiores especialistas do mundo: Marco Brotto, o caçador de Aurora. No final do mês passado, o homem estava em plena expedição número 63 da sua carreira quando atendeu ao chamado da Vip e disse: “Eu tô no Alasca, são sete horas a menos aqui”.


Algumas horas mais tarde, Marco, que é paranaense de Curitiba, falou conosco contando sua história que emociona e desperta a vontade de ver Aurora também.








Leia a entrevista:


VIP SHORE – A sua busca pela Aurora já foi notícia em muitos meios, o que o torna uma referência sobre o tema, um verdadeiro especialista. Qual é a energia que move você nessa busca incessante?


Marco Brotto – O que me move, mesmo, é o sorriso, a emoção das pessoas. Tem um senhor que está fazendo essa viagem agora [fevereiro/2019] pra comemorar 30 anos de casamento e na primeira noite se emocionou, chorou, junto com a mulher, com a filha, e disse: “Essa noite, a primeira noite desta expedição ao Alasca, já valeu a viagem toda”. É isso que me move, viver a emoção das pessoas diante desse espetáculo.


Vim pro Alasca a primeira vez em 2008, achando que era só ficar olhando pro céu e ver a Aurora. Eu peguei um navio, vim e nem sequer passei perto do lugar onde tinha a Aurora. Esse assunto ficou encerrado na minha cabeça por um tempo e como eu tinha loja de móveis, costumava ir pra Milão pra feira de design, e sempre aproveitava pra dar uma esticada. Ia pra alguns destinos, como a Rússia, Turquia, Mongólia, China e resolvi ir pra Noruega pra tentar a Aurora de novo. Mas isso nunca foi um sonho de criança, sabe, não era uma coisa que eu tinha que viajar pra ver, do gênero: “como que eu ia morrer sem ver a Aurora”?


Então eu reservei cinco noites de caçada à Aurora na Noruega, mas as noites vinham sendo canceladas, e eu, de maneiras diferentes, tentando ver a Aurora. Desde pegar um barco normal de passageiros e de transporte de cargas, de uma cidade pra outra, até ônibus. E só na última noite eu consegui ver uma coisa muito suave no céu – e não era aquilo que eu tinha ido ver.


Quando voltei pro hotel, peguei o carro que eu tinha alugado e voltei naquele local onde eu tinha visto um pouquinho. Eu estava sozinho e bati uma foto pra brincar, porque eu tava muito decepcionado. Não era nada de excepcional quando, de repente, na câmera começou a aparecer um pouquinho de verde. Eu olhava a olho nu não via nada, achei estranho. De repente eu olhei pra trás e tinha um monstro verde atrás de mim. Aquela coisa incrível dançando, fiquei arrepiado, encantado, e a partir daquele momento eu resolvi compartilhar aquilo com os amigos, com as pessoas nas redes sociais e isso começou a tomar uma forma muito grande.


Realmente é contagiante, você começa a ver e não quer parar de ver mais, e comecei a viajar, viajar, e em determinado momento apareceu a oportunidade, que eu não imaginava, de trazer pessoas pro Ártico pra ver a Aurora. E pra ser mais exato com a pergunta que você me fez, sobre o que me move, é o sorriso das pessoas. É ajudar as pessoas a realizar o sonho delas, mostrar essa região do mundo que é frágil sob o ponto de vista de que uma diferença climática, qualquer mudança numa corrente marítima pode alterar completamente a geografia de um lugar. Por outro lado, é uma região forte, extrema, mas drasticamente sensível a essas situações e que acaba demonstrando como a gente é frágil, né? Um vórtex aí muda a temperatura em 20, 30 graus e mata o que tiver pela frente.


VIP – Lemos numa entrevista que a dança das luzes no céu é o que mais toca você (e seus grupos), e não somente as cores. Inclusive, você citou algo de magia e de purificador nessa experiência. Além das explicações científicas sobre o fenômeno, você acredita que haja algo místico por trás dessa beleza única? O que as pessoas sentem?


Marco – Cada um de nós tem uma energia, o seu Deus, tem aquilo em que acredita. Mesmo a pessoa que não acredita em nada disso, em energia, em Deus, em Jesus Cristo, em Maomé ou em Candomblé, essa pessoa acaba acreditando em alguma coisa maior quando sente a energia de uma Aurora Boreal passando em cima da sua cabeça. É uma coisa impressionante.


Sabe por que me toca tanto? Porque quando a gente faz as fotos da Aurora, muitas pessoas veem aquele verde e acham que é muito insinuante. A velocidade da Aurora é algo que você não consegue transmitir nem na foto nem no vídeo, por incrível que pareça. A área da tela é muito pequena, e quando você olha aqui [ele estava no Alasca] você vê em 360 graus. Você chora, você se arrepia. A dança da Aurora é impressionante, sai de um lado, vai pro outro, ela some, ela volta, é uma dança e é uma caça, realmente. Só quem já presenciou, que já teve uma experiência, consegue entender.


Eu tento passar para as pessoas que viajam comigo essas nuances, explico todas as cores, as perspectivas diferentes. Eu busco mostrar a Aurora de todas as formas. Não é como tirar uma foto e mostrar; é mergulhar nessa aventura. Quero mostrar pras pessoas tudo aqui que eu já vi. Claro que eu não vou conseguir mostrar em cinco ou sete noites tudo o que eu já vi em 400 noites de Aurora [está na expedição 63], mas eu quero mostrar o máximo que eu possa conseguir.


VIP – Qual a sua formação, a que você se dedicava antes de virar esse caçador de sucesso?


Marco – Estudei Desenho Industrial na década de 1980, quase me formei, depois estudei Administração, estudei História e acabei indo pra Itália pra estudar História da Arte. Então, não tenho nenhuma formação em Física, Matemática, nem sobre astros. Meu último estudo, e espero que seja pra sempre, é sobre a Aurora Boreal.


Uma coisa interessante é que eu, num determinado momento da minha vida, tinha restaurante, bar, loja de plásticos, loja de móveis, tinha 150 funcionários e não viajava, não vivia. Alguns acontecimentos familiares fizeram com que eu modificasse o direcionamento da minha vida. E eu fui me preparando pra uma coisa diferente pro futuro. Faltava alguma coisa realmente pra terminar esse ciclo todo e foi quando a Aurora apareceu na minha vida e, no meu interior, estava definido: seria aquilo! E comecei a mostrar a Aurora pras pessoas...


VIP – Planeja escrever um livro sobre essas aventuras incríveis?


Marco – Um livro com as experiências não, mas estou com um livro pronto, já diagramado, com fotos das expedições, mas ele sempre acaba tendo que ser ampliado por conta de uma nova viagem. Eu realmente tenho que parar, concluir e levantar um patrocínio pra poder mandar pra gráfica.


VIP – Quais são os seus planos para o futuro?


Marco – Esse ano que passou eu fechei minha empresa principal, coloquei o imóvel pra locação, porque essa empresa dependia de mim, mas fiquei com outros dois negócios. Agora meu negócio é a Aurora. Montei uma operadora de turismo e uma agência somente pra fazer as minhas viagens de Aurora e expedições pra lugares que o Marco, sem ser caçador de Aurora, gostaria de conhecer.


Fora da temporada de Aurora, de abril a setembro, vou fazer duas ou três expedições por ano pra lugares realmente incríveis pros quais o turismo convencional não leva. O turismo tá cada vez mais virado em commodities – Disney é tudo igual, África é tudo igual, ir caçar Aurora Boreal se não for comigo é tudo igual... [risos] Então eu quero montar essa experiência diferente, mostrar pras pessoas a cultura do lugar de uma maneira diferente, realmente a cultura raiz, não aquilo que o turista quer buscar. O brasileiro sabe – e tira sarro – quando vem um americano e vai numa churrascaria do Rio, vê uma passista dançando e acha que no Brasil todo mundo sabe sambar. Isso não é verdade.


Eu quero demonstrar o turismo dessa maneira, mostrar o cotidiano das pessoas, a riqueza cultural do Ártico. Tem gente que fala “Ah, o esquimó!”. A maioria das pessoas não sabe que são centenas de tribos diferentes. E nem usar essa nomenclatura [esquimó] acho que pode, porque é uma coisa muito feia, eles não gostam de ser chamados assim.



Veja alguns

mitos derrubados

por Marco Brotto


A Aurora Boreal só acontece no Inverno: MENTIRA


A Aurora Boreal é um fenômeno que acontece devido ao encontro do plasma solar com os elementos da atmosfera terrestre. Portanto, isso é mais uma das mentiras, pois ela existe em qualquer época do ano. Porém, quando é temporada de solstício no verão do Hemisfério Norte, a duração do dia é mais longa e a claridade da luz solar sobrepõe a claridade da Aurora Boreal. Por isso, fica quase impossível a enxergar durante o dia nessa época do ano. Assim como as estrelas, as quais nós também não conseguimos ver durante o dia, as auroras também podem ocorrer no verão, porém é muito difícil visualizá-las durante o dia.


É necessário passar frio para ver a Aurora: MENTIRA


Isso também é outra das mentiras espalhadas na Internet. A Aurora Boreal não tem nenhuma relação direta com o frio. Durante o mês de setembro de 2017, quando é verão do Hemisfério Norte, realizamos três expedições e conseguimos ver dezenas de auroras com a temperatura beirando 20°C positivos no Alasca, Finlândia e Noruega.


Cada país tem uma cor de Aurora: MENTIRA


Pura besteira, a Aurora Boreal é um fenômeno que transcende o plano da Terra, estamos falando de algo que não tem interferência nenhuma de fatores naturais da Terra, a não ser nos casos onde podem ocorrer a aparição de nuvens. Isto é, a Auroral Boreal pode, sim, variar de cor, porém o país onde ela é encontrada não ocasiona nenhuma interferência no fenômeno.


É só ficar por três ou quatro dias em algum país do Ártico, observando o céu, e enxergará o fenômeno: MENTIRA


É claro que se você conversar com um morador do Ártico ele te dirá que já está cansado de ver auroras. Mas, para quem tem o sonho, nunca viu e viajou milhares de quilômetros para conhecer, é melhor não correr o risco de viajar para Noruega ou outro país do Ártico e não presenciar o tão sonhado fenômeno. Levando em consideração que a região de Fairbanks, no Alasca, tem uma das melhores médias de Auroras Boreais no mundo, e essa média não passa de 120 noites ao ano, essa atividade é menos que 70 visualizações a olho nu. E, por este motivo, não arrisque uma viagem com três ou quatro noites sem um especialista legalizado para lhe guiar e sem um roteiro específico.


Sobre a Aurora Austral, por Marco Brotto


A Aurora Austral é mais difícil porque, pra vê-la, precisamos estar no centro da Antártida. E a gente tem uma distorção em relação ao globo e ao mapa cartográfico. As pessoas imaginam que a Patagônia, por exemplo, é muito no Sul, e na verdade não é tanto assim como a gente imagina.


Para se ter uma ideia, a latitude da Patagônia é a mesma que a do Norte da Inglaterra. Então, a gente teria que ir muito mais ao Sul da Patagônia pra ver. E lá só temos o quê? Continente antártico. Ou, então, teria que ser ao Sul da Tasmânia ou ao Sul da Nova Zelândia, lá em alguns momentos seria possível ver a Aurora no horizonte, mas em cima da cabeça realmente é muito difícil.


“Desde que descobri as luzes do Norte, não parei mais de caçá-las. Meu sonho se realiza toda vez que vejo um rosto fascinado diante de uma Aurora Boreal. As buscas são muito difíceis, por isso me especializei em ajudar as pessoas a encontrar o fenômeno, estejam elas em expedições minhas ou não. Quem quiser dicas, eu ajudo”, explica Marco.

Fotos: Marco Brotto

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