oCEANO OU DEPÓSITO DE LIXO?

Foto: Programa Mundo Mar

Se nada for feito para mudar a atual realidade, nos oceanos haverá mais plástico do que peixes em 2050, em todo o planeta. A notícia não é fake, o dado é seguro e partiu de um relatório apresentado pelo Fórum Econômico Mundial e a Fundação Ellen MacArthur. Apesar de parecer impossível, esta realidade está cada vez mais próxima e impacta diretamente não apenas a vida marinha, mas também a vida humana. A situação alarmante pode ser constatada ao analisarmos a quantidade de lixo já encontrada hoje nos oceanos. Somente em um trecho do Pacífico, localizado entre o Havaí e a Califórnia, foi identificada a maior zona de acúmulo de lixo marinho do planeta. Ela já tem até nome: ‘Mancha de Lixo do Pacífico’, e é composta por estimados 1,8 trilhão de objetos, sendo a maioria formada por plástico.

 

O problema do lixo nos oceanos não é novo, mas torna-se cada vez mais grave à medida que o tempo avança e a consciência dos homens não cresce na mesma velocidade. Entre 1983 e 2014, uma equipe de pesquisadores registrou - em fotos e vídeos - fragmentos de resíduos coletados nos oceanos durante 30 anos de estudos. O trabalho envolveu um esforço expressivo: cinco mil mergulhos, uso de submersíveis e veículos controlados.

 

O resultado foi a criação de um acervo chamado Banco de Dados de Detritos do Mar Profundo. Duran-te os estudos, que envolveram áreas distintas dos oceanos, ficou claro que nenhum lugar escapa ao açoite do lixo. Enquanto uma gigantesca mancha plástica boia na superfície do Pacífico, uma sacola plástica foi encontrada num dos lugares mais remotos do planeta e que é considerado o ponto mais profundo dos oceanos: a Fossa das Marianas. Localizada a oeste do Pacífico, a uma profundidade de mais de dez mil metros da superfície, esta região inóspita da Terra também abriga lixo descartado pelo homem.

 

Estes e outros dados apresentados no Banco de Dados de Detritos em Mar Profundo fazem parte de um estudo lançado em março de 2017. Desenvolvido pelo Centro de Dados Oceanográficos Globais (GODAC), da Agência Japonesa de Ciência e Tecno-logia da Terra Marinha (JAMSTEC), é denominado “A pegada humana no abismo: registros de 30 anos de detritos plásticos em regiões abissais” (Human footprint in the abyss: 30 year records of deep-sea plastic debris). Para quem quiser acessar o estudo e saber mais, a documentação está disponível no site Science Direct ( www.sciencedirect.com ).

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Fotos: Ação Limpeza dos Mares/Acatmar - Programa Mundo Mar

Pequenas ações, grandes resultados

 

 

Diante da situação alarmante do lixo nos oceanos, influenciada pelo descarte incorreto do lixo pelas pessoas em todo o planeta, o que é possível fazer para mudar a realidade do lixo marinho? Enquanto o ser humano descarta nas ruas, lagos, rios e mares seu lixo que, levado pela chuva vai parar nos oceanos, pequenas ações são realizadas por pessoas engajadas e dispostas a projetar um futuro melhor. Em Santa Catarina, estas pequenas ações ganham corpo através de agentes que dedicam-se a trabalhar em prol do meio ambiente, e surtem grandes resultados. São voluntários, preocupados com um amanhã extremamente ameaçado, todos os dias.

 

 

Limpeza dos mares

 

Toneladas de resíduos sólidos já foram coletados a partir das ações desenvolvidas pelo Projeto Limpeza dos Mares, uma iniciativa da Associação Náutica Acatmar. Lançado em 2014, ele conta com a colaboração de membros da Acatmar, voluntários, patrocinadores, poder público, mergulhadores profissionais e amadores e amantes do mar. Em quatro anos de existência, o projeto já organizou 13 etapas, envolvendo cerca de cem voluntários por ação. As atividades retiraram resíduos do fundo do mar, de praias e de costões do litoral catarinense. Ao todo, estima-se que mais de 70 toneladas de resíduos foram recolhidos dos oceanos. Neste mês de se-tembro, a 14ª etapa do projeto está prevista para acontecer dia 16, em Praia Grande, Governador Celso Ramos (SC).

 

O objetivo do Limpeza dos Mares é preservar a vida marinha e trazer consciência ambiental, principalmente para os jovens. Entre as ações, estão palestras nas escolas para debater a problemática do lixo e mutirões de recolhimento do lixo nos ambientes marinhos. O presidente da Acatmar, Leandro “Mané” Ferrari, presidente do Grupo de Trabalho Náutico de Santa Catarina e gerente Aquaviário da Secretaria Estadual de Infraestrutura de Santa Catarina, explica que o projeto iniciou para ajudar na preservação da fauna e da flora marinhas do litoral de Santa Catarina e, também, para desmistificar as atividades náuticas como poluentes. “É exatamente o contrário! A náutica traz a reboque muitos ‘fiscais’ da natureza”, destaca. Ele comenta que o Limpeza dos Mares é um projeto que demonstra o cuidado com o crescimento das atividades náuticas de forma sustentável.

 

Os frutos das boas ações realizadas pelo Limpeza dos Mares já renderam ao projeto o reconhecimento em dois prêmios da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing de Santa Catarina (ADVB-SC). O Top Turismo veio em 2015, e o Empresa Cidadã em 2016. O projeto está aberto à participação de voluntários. Em seu site, encontram-se todas as informações necessárias para fazer parte desta iniciativa. Quer saber mais? Acesse www.limpezadosmares.com

 

 

Somos do mar

 

Na região do Vale do Itajaí, o Projeto Somos do Mar também trabalha para conscientizar a população em relação ao lixo. Através de ações envolvendo arte e ciência, o objetivo é popularizar o conhecimento sobre os oceanos e a problemática do lixo marinho. Desenvolvido pelo oceanógrafo Rafael Langella, e pela engenheira ambiental Diulie Tavares, desde 2017 o projeto já originou 40 ações ambientais, entre elas oficinas, intervenções artísticas, palestras e vivências. Cerca de 1,5 mil pessoas já participaram diretamente das ações do projeto.

 

Exemplo de iniciativa do Somos do Mar foi sua atuação durante a última Volvo Ocean Race, em Itajaí. O grupo promoveu ações de conscientização direcionadas ao público jovem, participou da limpeza de praias em Itajaí e intervenções artísticas em parceria com a equipe Turn the Tide On Plastic, o que ajudou a fortalecer a campanha Mares Limpos da ONU Meio Ambiente.

 

A intenção dos idealizadores do Somos do Mar é torná-lo itinerante, percorrendo todo o litoral brasileiro a bordo de um motorhome educativo, levando as atividades do projeto e realizando coleta de dados. “Acreditamos que, de modo lúdico e criativo, conseguimos abordar as questões que envolvem o problema do lixo no mar de forma leve e profunda, buscando acessar o sensível e, então, o inteligível, para gerar mudanças de comportamento necessárias à transformação dessa realidade”, finalizam Rafael e Diulie. Quer saber mais? Acesse

www.facebook.com/projetosomosdomar

Foto: Somos do mar

Você sabia?

Segundo dados divulgados em junho de 2018 pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD):

 

  • 83% da água de torneira contém partículas de plástico. Este plástico carrega químicos tóxicos que já podem ser encontrados na corrente sanguínea das pessoas

 

  • A cada minuto, são compradas um milhão de garrafas d’água feitas de plástico

 

  • A cada minuto, são adquiridas cinco trilhões de sacolas de plástico descartáveis

 

  • A 'Mancha de Lixo do Pacífico' tem tamanho estimado de três vezes o território da França.

 

Inspirando o mundo

 

Desde 2006, a Univali (Universidade do Vale do Itajaí) realiza o evento anual 'Univali Limpando o Mundo'. A ação, que teve início através de acadêmicos de Engenharia Ambiental e Sanitária, tem como objetivo recuperar e valorizar áreas degradadas, além de conscientizar a população sobre suas atitudes com o meio ambiente. O evento é aberto para a comunidade em geral. Em 2017, 350 pessoas se inscreveram para participar da ação.

O Univali Limpando o Mundo foi inspirado no 'Clean Up The World', campanha iniciada pelo mergulhador australiano Ian Kierman em 1989. Esta campanha ganhou o apoio das Organizações das Nações Unidas, através do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e, desde então, é realizada anualmente. A acadêmica do Curso de Engenharia Ambiental e Sanitária e integrante da organização do Univali Limpando o Mundo, Maiara Stein Wünsche, destaca que ações assim são inspiração para que outras sejam realizadas. “Um exemplo foi a fundação da ONG SOS Praia de Tijucas. Ela foi inspirada pelo Univali Limpando o Mundo e fundada pela comunidade, que transformou ações de limpeza e conscientização ambiental rotineiras, a ponto de o ecossistema natural de restinga se regenerar”, relata. As atividades da ONG SOS Praia de Tijucas foram efetivas e, atualmente, o local não faz mais parte do calendário de ações do 'Univali Limpando o Mundo'.

A professora do Curso de Engenharia Ambiental e Sanitária, responsável pelo 'Univali Limpando o Mundo', Rafaela Picolotto, diz que apesar da essência do evento ser o mar, a população não pode esquecer que há um caminho anterior a ele, que é, justamente, a maneira com que age-se no dia a dia, em casa. “Atuar frente ao mar e, em nossas casas, agir de maneira errônea, nos coloca num ciclo vicioso de remediação e nunca resolução do problema”, finaliza.

Quer ver mais fotos e vídeos das ações dos projetos? Confira a galeria abaixo! Compartilhar boas ações também é uma maneira de fazer a sua parte!

Vídeo: Somos do mar

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