ENTRE O ARPÃO E A ADMIRAÇÃO

Foto: Iswanto Arif on unsplash

Elas já foram retratadas na literatura, em filmes e, durante quatro séculos, caçadas ao redor do globo até beirarem a extinção. No mês passado, os olhos do mundo se voltaram para a capital catarinense, quando discutiu-se a possibilidade de por fim à moratória à caça comercial das baleias estabelecida há 30 anos. O encontro internacional trouxe a temática das baleias de volta às discussões, e a manutenção da moratória representou uma vitória aos ambientalistas e simpatizantes da causa em todo o planeta. Longe dos arpões dos caçadores, em Santa Catarina uma espécie que quase foi dizimada entre os séculos XVIII e XX hoje é atração turística. Trata-se da baleia-franco-austral, que de julho a novembro visita o litoral, vinda da Antártica para dar à luz e amamentar seus filhotes em águas catarinenses. O espetáculo atrai moradores e turistas que, agora, podem retomar os passeios embarcados para o avistamento das baleias. A prática estava proibida há seis anos em Santa Catarina e recentemente foi liberada pela Justiça.

Quatro espécies de baleia circulam em território nacional. De acordo com a diretora de pesquisa do Instituto Australis, em Florianópolis, Karina Groch, a espécie que tem mais incidência no Estado é a migratória baleia-franca-austral. “Durante o verão, ela se alimenta na Antártica e, no inverno, migra rumo a águas mais quentes para o nascimento dos filhotes”, comenta. A espécie é conhecida por ter hábitos costeiros durante o período reprodutivo, e é atraída para o mar catarinense por ter águas calmas, quentes e enseadas protegidas. Outras espécies também visitam o litoral brasileiro. A baleia-de-bryde costuma aparecer no sudeste do Brasil, mas também surge com frequência no litoral sul. Sem ter hábitos costeiros, a baleia jubarte passa pelo litoral catarinense em direção à Bahia. Alvo de caça dos japoneses, a baleia-de-minke tem ocorrência no nordeste brasileiro.

Apesar de alguma fama que receberam, as baleias não são ofensivas para o ser humano. “Na verdade, nenhuma espécie é perigosa. Em virtude do filme Orca – Baleia Assassina, a espécie ganhou imagem de ser perigosa.  O que acontece é que a orca é um predador, se alimenta de grandes presas, tais como focas. Por isso, é mais voraz. Porém, ela não ataca seres humanos, já que não é seu alvo de alimento”, esclarece Karina. Vale dizer que a orca é chamada de 'baleia' pelo seu tamanho, mas não é uma baleia de verdade. Assim como a cachalote, é um cetáceo da mesma família dos golfinhos – mamíferos que possuem dentes. As baleias verdadeiras possuem cerdas filtradoras.

O Instituto Australis surgiu nos anos 80 em forma de “Projeto Baleia Franca”. É uma organização sem fins lucrativos que tem como objetivo manter o trabalho de pesquisa e garantir a sobrevivência e a recuperação populacional da Baleia Franca em águas brasileiras. Karina Groch comenta que o projeto iniciou ao ser confirmado o retorno da espécie para o litoral catarinense. “Trabalhamos com ações de conservação e educação da espécie. É necessário gerar consciência e sensibilidade nas pessoas para garantir a preservação das baleias”, explica.

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Baleia-de-bryde

Foto: © Liliane Lodi/Brydes do Brasil www.brydesdobrasil.com.br

Baleia-franca-austral

Foto: Instituto Australis

AVISTAMENTO

Todos os anos, é realizado um sobrevoo durante o período de avistamento das baleias no litoral de Santa Catarina. A iniciativa monitora a quantidade de baleias no mar catarinense e faz parte do Plano de Controle Ambiental do Porto de Imbituba, realizado pela Santa Catarina Participações e Parcerias S.A (SCPar), do Instituto Australis e da empresa Acquaplan. Karina comenta que o avistamento de baleias este ano foi surpreendente. “Elas estão em diversas praias do litoral. É possível vê-las da areia, já que costumam ficar perto da arrebentação das ondas”, pontua.

 

Uma monitoração realizada nos primeiros dias de setembro contou 284 baleias franca no litoral. O número é o maior dos últimos anos. Até 2013, a média de baleias avistadas ficava em torno de 120. Segundo Karina, de 2015 até 2017, o total esteve bem abaixo da média, quando cerca de 50 baleias foram avistadas por ano – em 2014 não foi realizada contagem. “Fizemos uma publicação científica onde constatamos que a causa mais provável da migração possui relação com a quantidade de alimento que elas têm na Antártica. Quanto mais alimento disponível, mais baleias migram. Quanto menor a quantidade de comida, o fluxo de migração é menor, já que correm o risco de não suportar a viagem”, explica Karina. A bióloga informa que, nos próximos dois anos, novos estudos serão feitos.

 

O passeio embarcado para avistamento de baleias foi autorizado durante a Semana Nacional da Baleia Franca, que aconteceu em Imbituba (SC). A Rota da Baleia Franca abrange atualmente os municípios de Içara até Florianópolis, e busca incentivar o turismo na região, principalmente durante o inverno. “Se for feito de forma ordenada, com responsabilidade, se seguir todas as leias e houver limite com o número de embarcações, acredito que o turismo não se torne prejudicial”, destaca Karina. “A prática pode até mesmo trazer benefícios à conservação da espécie, considerando que as pessoas se sensibilizam mais quando em contato com as baleias”, reflete.

Foto: Will Turner/Unsplash

A CAÇA EM SANTA CATARINA

Ao contrário do que se possa pensar, o foco da caça à baleia em Santa Catarina não era a carne. O óleo extraído da gordura do animal, principalmente da Baleia Franca, era usado como combustível de iluminação até a primeira metade do século XIX, como também para lubrificação e fabricação de argamassa, usada em igrejas e fortalezas. Das baleias abatidas se produzia cerca de 6,8 mil litros de óleo por animal. As barbatanas tinham fins comerciais e eram aproveitadas na fabricação de espartilhos. Neste período, o rendimento derivado da caça complementou o investimento para a povoação da costa catarinense. Entretanto, a captura desenfreada de mães e filhotes levou-as à beira da extinção, sendo caçadas em Santa Catarina até 1973. No início da década de 1980, elas reapareceram no litoral. Foi então que surgiram estudos e trabalhos de pesquisa sobre a espécie para saber se, de fato, era a Baleia Franca que voltava a circular na região. Nasce aí o Projeto Baleia Franca, que deu origem ao Instituo Australis.

CURIOSIDADES
 

 

  • As baleias vivem, pelo menos, 80 anos. É possível que a mesma baleia já tenha sido vista mais de uma vez na região, pois há 50 anos têm sido vistas em nossos mares.

 

  • Mesmo com números crescentes de avistamentos no Brasil, a Baleia Franca ainda é uma espécie ameaçada de extinção.

 

  • Do latim, cetáceo significa “monstro marinho”.

Quer ver as baleias que passaram por Santa Catarina e no Brasil? Confira a galeria abaixo e o vídeo!

Vídeo: Instituto Australis

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