Eles escolheram o mar

Eles trocaram o conforto e segurança de suas casas pelo balanço das ondas e passaram a viver a bordo. Durante a transição que mudou suas vidas, desapegaram-se dos bens em terra firme e adotaram o barco como seu lar. Nele, encontraram uma maneira de ir a qualquer lugar sem sair de casa, construindo um estilo de vida diferente e marcado pela liberdade. Os receios, surpresas e aprendizados vivenciados nesta longa viagem você lê agora nesta reportagem especial feita com pessoas que escolheram o mar como morada.
 

Há três anos a bordo do Veleiro GreenGO, um Marevela de 45 pés, o uruguaio Horacio Grecch, 64 anos, garante que um dos principais prazeres proporcionados pela vida a bordo é estar afastado da cidade. Ele diz que poder viver rodeado pelo mar, conhecendo pessoas que também o apreciam é uma experiência maravilhosa. “O mar me ensinou a ser paciente, a me deixar levar pelo vento, confiar mais em meu interior”, revela.
 

O engenheiro eletricista por formação e, atualmente, cultivador de ostras na capital de Santa Catarina, tem seu barco ancorado em Santo Antônio de Lisboa, Florianópolis. Quando não está na ilha, o uruguaio conta que sai mar afora em busca de novos lugares para conhecer. Durante os períodos de viagem, costuma ficar cerca de 30 dias ancorado em cada porto. Depois, procura outras águas para explorar.
 

Grecch, que vive há 43 anos no Brasil, destaca que alguns locais mais bonitos que já conheceu estão em terras brasileiras. “Passei por muitos lugares lindos, como Angra dos Reis e Paraty, no Rio de Janeiro. Também conheci ilhas e praias, pontos de águas cristalinas e clima bom”, explica. A vontade de viajar a bordo e conhecer novos cantos para viver renova-se conforme a passagem do tempo acontece. O próximo desafio de Grecch é aventurar-se pelo Caribe, país que ele descreve como um paraíso para os velejadores do mundo.

 

OFICINA DE TRABALHO A BORDO?


 

A paixão pelo mar é tão intensa que alguns escolhem esta vida ainda na juventude, como é o caso do arquiteto Cristiano Truffi Lima, 39 anos. Truffi vive a bordo há quase 15 anos e, atualmente, sua morada é um veleiro Trismus 37 – esta embarcação é feita de alumínio e indicada para a realização de expedições em altas latitudes. A experiência do viajante iniciou cedo por influência de um primo que viveu a bordo com a família. Através do primo, conheceu a vela e, depois, comprou o seu próprio veleiro enquanto ainda cursava Arquitetura e Urbanismo na universidade.

 

Truffi ressalta que, durante a maior parte de sua trajetória, sempre manteve o barco próximo de onde desenvolveu seus projetos arquitetônicos. Apesar de trabalhar em terra, ele aprecia o ambiente criado pelas condições do mar ou do rio, a sensação de acordar e ir dormir a bordo e os animais que habitam as cercanias. “A vida a bordo de um veleiro nos permite presenciar momentos singulares e de intenso contato com a natureza”, explica. Ele destaca que deseja, em um futuro próximo, finalmente soltar as amarras e, mesmo continuando seus projetos de arquitetura, poder aproveitar de maneira mais intensa a vida no mar.


 

E o sonho tem nome: o Veleiro de Apoio Oceanográfico - Vapoc Ammuce. O projeto é uma iniciativa do Museu Oceanográfico da Univali, do Instituto Cultural Soto, juntamente com o arquiteto. Com ele, Truffi pretende partir para uma longa viagem, primeiro rumo ao Caribe, depois seguindo para o Pacífico através do canal do Panamá. O objetivo é desenvolver metodologias de pesquisa ao redor do mundo.
 

O olhar focado no horizonte remete Truffi para um futuro de muitas realizações. “Trago comigo um sonho ousado há mais de uma década, que tem forma e nome. Chama-se Passagem de Noroeste. Fiz um roteiro e pretendo lançar este projeto, buscando novos recursos através de patrocinadores e financiamento coletivo”, conta. 


 

QUER VIVER NO MAR?


Mesmo explorando o mar há tantos anos, Truffi conta que velejar é desafiador. Por ser uma modalidade esportiva, a prática exige muita energia do viajante, que precisa manter-se sempre atento. “A constante exposição ao vento e umidade e nos translados de bote até o barco, muitas vezes são desconfortáveis. Mas, com algumas estratégias, é possível levar o conforto dessa casa flutuante para uma infinidade de destinos”, relata. Segundo o arquiteto, algumas dicas podem ajudar na hora de escolher viver no mar. “É importante ter o entendimento dos fatores oceanográficos e meteorológicos, assim como a fauna e cultura dos locais onde se pretende fazer escala”, afirma. Ele diz que todo o conhecimento adquirido possibilita que os velejadores desfrutem melhor das qualidades de cada local pelos quais passam.

 

EXPLORANDO O DESCONHECIDO


 

Uma das razões em comum dos aventureiros que escolheram viver no mar é, justamente, a facilidade de levantar âncora e ir para outro lugar. Alguns vão mais longe geograficamente, aproveitando para conhecer com intensidade a cultura de outros povos ao redor do planeta. Este é o caso do militar reformado Carlos Maus, 57 anos. Catarinense de Benedito Novo, ele embarcou no seu sonho há quatro anos, e foi a bordo do seu Fast 395, de 40 pés, que teve a oportunidade de conhecer alguns países, como Guiana Francesa, Trindade e Tobago, Caribe e Portugal.

 

Fascinado por conhecer outras culturas, Maus conta que gosta de passar um bom tempo no mesmo lugar, pois assim consegue interagir com a cultura local, conhecer pessoas, ver os hábitos delas e fazer amizades. Aliás, os hábitos, costumes e histórias daqueles que conhece pelo caminho são um dos fatores que mais chama sua atenção. Em cada lugar, ele descobre uma nova maneira de viver.

 

Uma das experiências distintas foi vivenciada na Ilha de Tobago, quando passou por uma situação inusitada ao fazer uma fotografia. “Nós estávamos descendo uma rua estreita, e no final dela havia uma praia paradisíaca. Eu achei aquilo muito bonito e tirei minha câmera para fotografrar. De repente, um rapaz que subia a rua veio para cima de mim. Ele ficou ofendido porque eu ia tirar uma foto e ele estava incluso no enquadramento. O problema de tudo é que, para este povo, tirar foto de uma pessoa rouba a sua alma”, relata.

 

Depois de alguns anos morando a bordo em águas brasileiras, recentemente Maus vendeu o seu barco para viver novas aventuras. O continente escolhido foi o Europeu. “Vou dar entrada no visto de residente em Portugal. Geralmente, ele é de um ano, com previsão de renovação. Este tempo me proporcionará conhecer com calma a Europa. Escolhi Portugal pela diversidade cultural, atividades de lazer e diversão”, destaca. Para esta viagem, ele pretende comprar um motorhome pequeno e outro barco, assim poderá explorar o desconhecido por terra e mar, descobrindo a cada parada um pouco mais das histórias que fazem do mundo um lugar cheio de mistérios e encantos.

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ô VIDA BOA!

 

 

Conhecer o mundo todo levando a “casa nas costas”, estar em contato com a natureza e levar uma vida mais simples foram os principais motivos do administrador, Renato Aurélio Teixeira, ao escolher viver no mar. A decisão foi tomada em 2016, após passar por um tratamento de saúde. Velejador há 27 anos, Teixeira conta que neste pouco mais de um ano a bordo, adaptou-se às novas condições de vida e, até, à falta de conforto em determinadas situações. Para ele, o que mais valeu nesta experiência de aventuras e desafios foi a liberdade em viver sobre as ondas.

 

“Me sinto extremamente calmo quando estou no mar, em uma verdadeira sincronia, mesmo em condições adversas de tempo. Velejar à noite, com tempo claro e lua nova, é uma experiência fantástica! Além disso, é possível ver as estrelas de uma forma única”, relata o aventureiro. Junto de sua esposa, ele diz viver de maneira muito mais tranquila, simples e saudável após esta decisão – em que abriu mão de carros de luxo, apartamento e estilo de vida de alto padrão. Os novos hábitos de vida mudaram a história de Renato, tornando sua rotina plena. “Quando estamos em terra, em nossos trabalhos, normalmente vivemos para ele, passamos mais de 12 horas por dia envolvidos com isso e não esquecemos quando vamos dormir. Esta situação gera estresse e ansiedade, diminuindo consideravelmente a qualidade de vida”, destaca.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Atualmente, a experiência de conhecer pessoas, lugares e culturas novas quase todos os dias é uma das principais alegrias do velejador. “Neste meio, as pessoas não têm nenhum tipo de interesse, em tirar alguma vantagem, ninguém pergunta o que você faz. Se faz amizade pelo que você é, e não pelo que você tem ou representa”, afirma. Ele ainda conta que, ao apegar-se aos lugares e pessoas que conhece durante as viagens, torna-se cada vez mais difícil dizer adeus na hora da partida.

DESAFIOS

Uma das principais aventuras vividas pelo velejador foi a travessia do Atlântico Sul. Ao decidir realizar o trecho, ele saiu de Angra dos Reis, cidade localizada no Rio de Janeiro, e seguiu em direção a Cape Town, na África do Sul. Durante 33 dias de travessia, o explorador percorreu mais de quatro mil milhas náuticas.

 

 

DICA DO AVENTUREIRO

Renato diz que uma importante dica para viver bem a bordo é a realização da gestão constante de recursos, já que eles são limitados. Por isso, tudo precisa ser gerenciado, como energia, água, suprimentos e combustível. “O monitoramento da previsão do tempo também é uma constante, pois dependemos dela para poder velejar”, explica.

 

Mais...

 

Abaixo, você confere um vídeo de entrevista realizado com Renato no canal do YouTube #Sal. Neste espaço, uma série de entrevistas sobre a vida no mar é compartilhada frequentemente. Na apresentação do programa estão Adriano Plotzki e Aline Sena, que trazem curiosidade e mais informações sobre náutica.

 

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